Brasil registra mais de 100 mil casos de abuso e exploração sexual infantil
CATEGORIA: ASSISTÊNCIA SOCIAL - 18 DE MAIO 2017

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Brasil registra mais de 100 mil casos de abuso e exploração sexual infantil

“Falar de proteção à criança e ao adolescente é coisa séria. Todos os dias ficamos sabendo de casos de violência, de todos os tipos. Mas muitas vezes as vítimas da violência sequer conseguem receber o atendimento que precisam porque os casos ficam ocultos. Nosso papel é enfrentar, com coragem e unidos, qualquer tipo de abuso, seja ele físico, moral, psicológico ou sexual, contra nossas crianças e adolescentes. Debater este assunto nunca é demais. Por isso estamos aqui hoje, para encontrar saídas, para trabalhar contra o abuso e ajudar a dar voz a quem precisa de proteção”, apotna a secretária de Assistência Social do município, Tasiane Cristina de Souza. A afirmação foi feita na abertura de um encontro entre profissionais da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente de Paranavaí participaram nesta quinta-feira (18).

 

O encontro, organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), marcou o Dia Nacional de Enfrentamento Contra o Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado anualmente em 18 de maio. O dia foi de debates sobre situações de risco para violência contra crianças e adolescentes.

 

Balanço da violência – Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no Brasil, são mais de 100 mil casos registrados de exploração sexual de crianças e adolescentes. No Paraná, só no ano de 2016, o Disque 100 recebeu 3.237 denúncias de casos envolvendo crianças e adolescentes (dados da Secretaria de Direitos Humanos).

 

Em Paranavaí, o Conselho Tutelar é o primeiro órgão a ter contato com as crianças e adolescentes vítimas de violência física, psicológica e sexual. Em 2016, o Conselho Tutelar atendeu a 32 casos na cidade, apenas de violência sexual. “Mas é importante enfatizar que não são todos os casos que passam pelo Conselho. Algumas vezes a família vai direto para a Delegacia ou para o Ministério Público, outras vezes nem acontece a denúncia e o caso não chega ao conhecimento de nenhuma autoridade competente. Este ano já tivemos 16 casos registrados no Conselho. São abusos, assédio, exploração, prostituição e estupro. Na maioria dos casos o agressor está no círculo de convivência da criança, com parentes, primos, irmãos, padrastos, vizinhos. E este deveria ser o ambiente em que elas deveriam se sentir seguras e receber todo cuidado, e as crianças são vítimas do fato de confiarem nestas pessoas”, pondera a Conselheira Tutelar, Suelene Fracarolli.

 

Quando a criança passa pelo Conselho Tutelar, é feito um encaminhamento para o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), onde a criança vai ser ouvida num ambiente mais adequado e a situação vai ser acompanhada mais detalhadamente.

 

Segundo a psicóloga e coordenadora do CREAS, Fernanda Barbiratto Costa, as crianças dão sinais quando estão passando por alguma situação de abuso. “Geralmente, o primeiro sinal é a alteração do comportamento. Se a criança em sua rotina é calma e quieta, ela começa a ficar agressiva com muita frequência, com muita manha, começa a dar muito trabalho na escola. Se a criança é normalmente mais agitada, ela costuma se fechar, se isolar, silencia. São mudanças que realmente chamam a atenção, não só dentro de casa, mas de vizinhos, amigos, professores, pessoas próximas que convivem com a criança a ponto de notar essas alterações comportamentais. É importante ter um olhar bastante atento, porque a maioria dos casos acontece dentro de casa mesmo”, explica.

 

A psicóloga ainda afirma que em qualquer caso de abuso ou violência contra a criança, é indispensável o cuidado profissional, e que o abuso pode acontecer também virtualmente. “Os casos de abuso traumatizam e precisam de um acompanhamento profissional, com alguém capacitado e preparado, que consiga acolher, ajudar a criança a passar por esse processo e mostrar para ela que ela é capaz de superar. Existe abuso e exploração sexual também na internet, principalmente com adolescentes, que têm um acesso maior. É importante entender que a criança ou o adolescente não se sente bem em casa, não se sente acolhida, não sente que tem abertura com os pais para falar sobre qualquer dúvida, eles vão procurar o que é mais fácil, geralmente na internet. E na internet tem todo tipo de pessoas, as que querem o bem e as que querem o mal. Isso facilita o abuso e a violência que acontece também via internet”, ressalta Fernanda. 

 

 

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